• Ft. Soraia Coelho

Dói.... Dói tanto...


“A dor é tão intensa que sinto que vou rasgar... E depois é aquela sensação de queimar. Só de pensar fico indisposta. E o problema é... Acho que o meu companheiro não entende. Como explico isto? Nunca foi assim! Não sei mais o que posso fazer. Já não sinto vontade de nada... E quando me relaciono com o meu companheiro, estou mais focada em tentar relaxar entre a dor, que nem me apercebo do resto. Não lubrifico sequer... Sinto-me seca. Já não sou uma Mulher...”

Foi assim que a Ana (nome fictício) se apresentou á minha consulta hoje. Tinha vindo da médica ginecologista com um diagnóstico que ela própria não entendia bem... Dispareunia. Mas afinal o que é isso?

Dispareunia é o termo médico usado para descrever a sensação de desconforto ou dor durante o ato sexual. Para sermos mais exatos, dispareunia é definida como uma dor ou desconforto constante ou persistente que se inicia no momento da penetração, durante o ato sexual ou logo após o seu fim. Faz parte de um conjunto caracterizado por disfunções sexuais femininas. E não são tão incomuns assim.

A Sociedade Portuguesa de Andrologia, em conjunto com o Laboratório Pfizer, revelou num estudo que 56% das mulheres portuguesas apresenta ou apresentou algum tipo de disfunção sexual.

A mesma investigação refere que, entre estas, 35% tem desejo hipoactivo ou aversão e 32% revela dificuldades em atingir o orgasmo.

Este trabalho envolveu 1.250 mulheres entre os 18 e os 75 anos.

Sintomas da dispareunia

O sintoma mais típico da dispareunia é uma dor em pontada ou queimação que surge logo no início da penetração. Algumas mulheres queixam-se de dor na vagina, mas outras referem que o incômodo é bem profundo na pelvis, principalmente durante os movimentos de penetração do pénis. Dor em múltiplos locais da anatomia ginecológica também é uma queixa possível.

Dor no momento da penetração é a queixa mais comum, mas algumas mulheres queixam-se também de dor durante ou após o ato sexual.

Se a dispareunia pode estar associada à secura vaginal. Nestes casos, a menopausa, uso de medicamentos, deficiência de estrogênio, alterações da libido ou simples falta de interesse sexual pode ser a causa.

Porque deve procurar ajuda?

O sexo é determinante no relacionamento de um casal, para além disso, é uma forma de comunicação e de linguagem particular e específica do casal, o que o torna fundamental como elemento integrador da relação. Por isso, não é de mais valorizá-lo.

Quem a pode ajudar? Inicialmente, são os sexólogos, que estão predominantemente orientados para analisar o estudo destas disfunções. Estes poderão orientar com o melhor profissional a ajudar. Se for por causa orgânica, o ginecologista. É essencial avaliar a sua saúde ginecológica, o perfil hormonal e realizar alguns exames que despistem alterações orgânicas já existentes. Um fisioterapeuta especialista em reabilitação pélvica será também importante, pois em conjunto com os outros profissionais, poderá tratar do corpo, ensinando técnicas de relaxamento, tratamento de queixas dolorosas e normalizar os músculos pélvicos, devolvendo a sua funcionalidade.

Como vêm, será necessária uma equipa multidisciplinar para lidar com esta situação.

Assim, se sente que sofre de uma das disfunções sexuais femininas descritas anteriormente, não se iniba, não esconda as suas preocupações e procure ajuda!

Ft. Soraia Coelho

#Sexualidade

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Soraia Coelho

Tlm: 966106708

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