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Pelvic Care Blog

Tenho um prolapso... Mas afinal o que é isso?


"Venho ter consigo muito assustada... No outro dia, depois de ir á casa de banho, estava a limpar-me e senti algo a sair... Fui á médica e disse-me que tenho um prolapso. O que me vai acontecer agora?"

Foi assim que começou a minha consulta com a L. Estava muito nervosa, e bastante envergonhada. Mas afinal o que é isto dos prolapsos? O prolapso dos órgãos pélvicos, (vagina, uretra, bexiga, recto, intestino), ocorre porque os órgãos saem da sua posição normal por fraqueza ou flacidez dos tecidos de suporte da região pélvica. A consequência é a saliência destes órgãos empurrando a parede vaginal, causando um “inchaço” (a tal sensação de algo a sair ou "bola").

Normalmente os órgãos pélvicos são sustentados por músculos e ligamentos com inserção nos ossos da bacia. Quando estes tecidos de sustentação sofrem estiramentos e enfraquecem, os prolapsos podem acontecer. Os factores de risco para este tipo de patologia são:

  • gravidez,

  • múltiplos partos,

  • menopausa,

  • histerectomias prévias,

  • obesidade,

  • trabalho pesado ao longo da vida

  • alterações do tecido conjuntivo, que podem ser de causa hereditária.

Prevê-se que cerca de 50 % das mulheres irá sofrer de algum grau de prolapso ao longo da sua vida.

Tipos de prolapso

Existem vários tipos de prolapsos e na mesma paciente pode coexistir mais do que um porque os órgãos pélvicos e as suas sustentações estão interrelacionadas:

Prolapso do recto – Rectocele

Trata-se de um prolapso da parede posterior da vagina produzido pelo recto, criando uma proeminência por fraqueza dos tecidos entre o recto e a vagina e da própria vagina.

Prolapso da bexiga – Cistocele

Esta “queda da bexiga” ocorre quando a parede anterior da vagina perde a capacidade de sustentação. É muitas vezes acompanhada de prolapso da uretra – uretrocele. Quando ocorrem em simultâneo resulta num cistouretrocele.

Prolapso do Útero – Histerocele

Um grupo de ligamentos na parte superior da vagina perdeu a força e capacidade de sustentação deixando que o útero desça através da mesma, podendo exteriorizar-se nos prolapsos de maior grau

Prolapso da cúpula vaginal

O topo da vagina “cai” através da mesma, podendo exteriorizar-se por completo, dependendo do grau de prolapso, por fraqueza dos ligamentos de sustentação e por pressão do intestino e bexiga que empurram respetivamente a parede posterior e anterior da vagina. Este tipo de prolapso ocorre mais frequentemente após uma histerectomia (remoção do útero), porque o útero providencia suporte ao topo da vagina, e a sua remoção implica corte de ligamentos e dano de estruturas nervosas, importantes na manutenção da anatomia normal.

Quais são os principais sintomas

Algumas mulheres com pequenos prolapsos poderão apresentar-se assintomáticas, mas outras poderão apresentar um considerável desconforto, e um sem número de sintomas:

Sensação de pressão, desconforto e dor pélvica - Estes sintomas, no entanto diminuem ou desaparecem com a doente deitada

Sintomas urinários - no cistocele, uretrocele e prolapso uterino, as mulheres podem-se queixar de incontinência urinária ou dificuldade no início da micção, dependendo do grau de prolapso.

São também frequentes sintomas de urgência e aumento da frequência urinária. Sintomas intestinais - no rectocele, ao formar-se uma “bolsa”, mesmo acima do esfíncter anal, pode dar dor, pressão e dificuldade no esvaziamento intestinal.

Problemas nas relações sexuais - um prolapso pode causar dor por irritação dos tecidos vaginais, assim como problemas a nível psicológico

Tratamento conservador

As mulheres sem sintomas associados ao seu prolapso, ou com sintomas muito ligeiros, podem não precisar de cirurgia, no entanto devem evitar situações que possam vir a agravar o seu grau de prolapso. A perda de peso, evitar levantar pesos e deixar de fumar são atitudes que poderão prevenir o agravamento do prolapso. Não é claro que todos os prolapsos agravem com a idade e por isso devem ser evitadas atitudes agressivas no seu tratamento.

Nos casos com sintomatologia ligeira ou que pretendam adiar ou evitar cirurgia, existem tratamentos que poderão melhorar a sua condição e muito menos invasivos que a cirurgia.

Fisioterapia

Exercícios de Kegel:

Uma mulher com prolapso, mas sem sintomatologia presente deverá ser motivada para a prática destes exercícios, na tentativa de evitar que a sua situação se agrave. Os exercícios de Kegel são contrações voluntárias dos músculos do pavimento pélvico com o objetivo de os reforçar.

Estimulação Elétrica:

Utiliza um dispositivo que produz uma corrente elétrica de baixa voltagem, aplicada nos músculos do pavimento pélvico, através da vagina. Esta corrente promove a contração dos músculos, com o objetivo de os fortalecer.

Biofeedback:

Utiliza um sensor que avalia, enquanto a doente executa exercícios pélvicos, as contrações musculares, para determinar se esses exercícios atingem os músculos que pretendemos fortalecer.

Pessários:

Para as mulheres que estão excluídas do tratamento cirúrgico, por problemas de saúde que contra-indiquem anestesias, ou para as que pretendem adiar a cirurgia e enquanto aguardam pela marcação da mesma. Trata-se de dispositivos que se inserem intravaginalmente e que recolocam os órgãos pélvicos no seu lugar anatómico, actuando como um suporte da área pélvica.

Se tem alguns dos sintomas que descrevi, ou se tem dúvidas do estado do seu pavimento pélvico, não hesite em pedir ajuda a um fisioterapeuta especializado em reabilitação pélvica.

Apresentar um diagnóstico de prolapso não significa o fim, ou mesmo indicação cirúrgica imediata.

Ft. Soraia Coelho

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